quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 de Novembro



Neste dia na História Cristã
1.ª Série

10 de Novembro de 1483 • Nasce de Martinho Lutero, principal líder da Reforma alemã
Martinho Lutero (Eisleben, 10 de novembro de 1483 – Eisleben, 18 de fevereiro de 1546). Principal líder da Reforma alemã. O pai de Lutero pertencia a uma família de camponeses, mas teve êxito na indústria de mineração, de maneira que teve condições para pagar uma excelente educação para o seu filho. Lutero começou os seus estudos na Ratschule, em Mansfeld, e provavelmente frequentou a Escola da Catedral, em Magdeburg, onde veio a ser influenciado pelos Irmãos da Vida Comum. Completou a sua educação secundária na Goergenschule, em Eisenach, antes de entrar para a Universidade de Erfurt, em 1501. Recebeu o grau de bacharel em 1502 e o de mestre em 1505. Em consonância com os desejos do pai, começou a estudar Direito quando um encontro com a morte, durante uma tempestade acompanhada por raios, em julho de 1505, o levou a fazer o voto de tornar-se monge.

Enquanto esteve no mosteiro, Lutero começou o estudo sério de Teologia, em Erfurt. Em 1508, foi enviado a Wittenberg para fazer prelecções sobre Filosofia Moral na recém fundada Universidade de Wittenberg. Em 1509, voltou a Erfurt, onde continuou os seus estudos e deu prelecções sobre Teologia. Os seus professores em Erfurt seguiam a teologia nominalista de William de Occam e do seu discípulo, Gabriel Biel, que fazia pouco caso do papel da razão na busca da verdade teológica, dando mais ênfase do que o escolasticismo clássico ao livre arbítrio e ao papel dos seres humanos iniciarem a sua própria salvação. Em 1510-11, Lutero viajou para Roma, numa missão da sua ordem. Enquanto estava ali, ficou chocado com o mundanismo dos clérigos e desiludido pela indiferença religiosa deles. Em 1511, foi enviado de volta a Wittemberg, onde completou os seus estudos para o grau de doutor em Teologia, em outubro de 1512. No mesmo ano, recebeu uma nomeação permanente para a cátedra de ensinos bíblicos naquela universidade.

Entre 1507-12, Lutero passou por intensas lutas espirituais, enquanto procurava merecer a sua própria salvação através da observância cuidadosa da regra monástica, da confissão constante e da mortificação de si mesmo. Provavelmente como resultado da influência da piedade popular e dos ensinos do nominalismo, Lutero considerava Deus como um juiz irado que esperava que os pecadores obtivessem a sua própria justiça, cada um por si mesmo. Parcialmente devido ao seu contacto com o vigário geral de sua ordem, Johann von Staupitz, e da sua leitura de Agostinho, mas principalmente por meio do estudo das Escrituras, enquanto preparava as suas prelecções universitárias, Lutero mudou paulatinamente o seu conceito de justificação. A sua "experiência na torre", quando fez a sua maior descoberta teológica e chegou ao pleno reconhecimento da doutrina da justificação pela fé somente, em geral tem sido datada antes de 1517. Estudos recentes, no entanto, têm sugerido que Lutero tinha razão quando declarou, perto do fim da sua vida, que ela não ocorreu senão em fins de 1518. Esta interpretação sustenta que Lutero progrediu gradualmente na sua compreensão da justificação, desde o conceito nominalista, que dava aos seres humanos um papel na iniciação do processo à livre graça de Deus, mas que acreditava que, depois da conversão, os seres humanos podiam cooperar. A doutrina luterana plenamente desenvolvida, que via a justificação como um acto forense em que Deus declara que o pecador é justo por causa da expiação vicária de Jesus Cristo sem qualquer mérito humano, em vez de ser um processo que durasse a vida inteira, não foi expressa claramente nos escritos de Lutero antes do seu sermão ‘Da Justiça Tríplice’, publicado perto do fim de 1518.

A Reforma começou em Outubro de 1517, quando Lutero protestou contra um grande abuso na venda de indulgências, nas suas ‘Noventa e Cinco Teses.’ Estas foram traduzidas para o alemão, impressas, e circularam em todas as partes da Alemanha, dando origem a uma tempestade de protestos contra a venda de indulgências. Quando a venda das indulgências havia sido seriamente prejudicada, o papado procurou silenciar Lutero. Primeiramente ele foi confrontado numa reunião da sua ordem, realizada em Heidelberg em 26 de abril de 1518, mas ele usou o debate de Heidelberg para defender a sua teologia e fazer novos convertidos. Em agosto de 1518, Lutero foi intimado a ir a Roma e defender-se contra acusações de heresia, embora ele nada tivesse ensinado de contrário a qualquer doutrina medieval claramente definida. Por ser improvável que Lutero recebesse um julgamento imparcial em Roma, o seu príncipe, Frederico o Sábio, interveio, e pediu que o papado enviasse representantes para debater com Lutero na Alemanha. Encontros com o Cardeal Cajetan, em outubro de 1518, e com Karl von Miltitz, em janeiro de 1519, não puderam obter de Lutero uma retractação, embora este continuasse a tratar com respeito o Papa e os seus representantes.

Em julho de 1519, no debate de Leipzig, Lutero questionou a autoridade do papado, bem como a infalibilidade dos concílios eclesiásticos, e insistiu na primazia das Escrituras. Isto levou o seu oponente, Johann Eck, a identificá-lo com o herege da Boémia do século XV, Jan Hus, num esforço para desacreditar Lutero. Depois do debate, Lutero tornou-se bem mais franco e expressava as suas crenças com uma convicção cada vez maior. Em 1520, escreveu três panfletos de grande relevância. O primeiro, ‘Oração à Nobreza Cristã da Nação Alemã’, conclamou os alemães a reformarem a nação e a sociedade, visto que o Papado e os concílios eclesiásticos não tinham conseguido fazê-lo. O segundo, ‘O Cativeiro Babilónico da Igreja’, colocou Lutero claramente nas fileiras dos heterodoxos, porque atacou a totalidade do sistema sacramental da igreja medieval. Lutero afirmava que havia apenas dois sacramentos, o ‘Baptismo’ e a ‘Ceia do Senhor’ ou três, no máximo, sendo que o ‘arrependimento’ possivelmente tivesse qualidades de um terceiro — em vez de sete sacramentos. Ele também negou as doutrinas da transubstanciação e da missa sacrificial. O terceiro panfleto, A ‘Uberdade do Cristão’, foi escrito para o Papa. Era não polémico, e ensinava claramente a doutrina da justificação pela fé somente.

Até mesmo antes da publicação destes panfletos, uma bula papal de excomunhão já tinha sido lavrada, para entrar em vigor em janeiro de 1521. Em dezembro de 1520, Lutero demonstrou o seu repúdio à autoridade papal, queimando a bula. Embora tivesse sido condenado pela Igreja (Católica Romana), Lutero ainda foi ouvido diante de uma dieta imperial em Worms, em abril de 1521. Na Dieta de Worms, foi conclamado a retractar-se quanto aos seus ensinos, mas ficou firme, desafiando, assim, a autoridade do Imperador também, sendo que este o submeteu ao interdito imperial e ordenou que todos os seus livros fossem queimados. No seu regresso de Worms, Lutero foi sequestrado por amigos que o levaram para o castelo de Wartburg, onde permaneceu escondido durante quase um ano. Enquanto estava em Wartburg, escreveu uma série de panfletos atacando práticas católicas, e começou a sua tradução da Bíblia para o alemão. Em 1522, Lutero voltou para Wittemberg para tratar das desordens que tinham irrompido na sua ausência, e permaneceu ali pelo resto da sua vida. Em 1525, casou-se com Catarina von Borla, uma ex-freira, que lhe deu seis filhos. Lutero tinha uma vida familiar extremamente feliz e rica, mas a sua vida em geral foi prejudicada por doenças frequentes e controvérsias amargas.

Lutero quase sempre respondia aos seus oponentes de modo polémico, usando linguagem extremamente ríspida. Em 1525, quando os camponeses do sul da Alemanha se revoltaram, e rejeitaram o seu apelo no sentido de negociarem pacificamente as suas queixas, Lutero atacou-os violentamente num panfleto chamado ‘Contra a Horda Assassina dos Camponeses’. Uma controvérsia com o reformador suíço Ulrich Zuínglio, no tocante à ‘Ceia do Senhor’, dividiu o movimento protestante, quando fracassou um esforço para resolver as diferenças numa reunião em Marburg em 1529. Durante toda a sua vida, Lutero manteve uma carga esmagadora de trabalhos, escrevendo, ensinando, organizando a nova Igreja e fornecendo a liderança geral para a Reforma alemã. Entre os seus escritos teológicos mais importantes estão os ‘Artigos de Smalcald’, publicados em 1538, que definiram claramente as diferenças entre a teologia dele e a da Igreja Católica Romana.

Lutero, no entanto, nunca se considerou o fundador de uma nova organização eclesiástica. Ele dedicou toda a sua vida à reforma da Igreja e à restauração da doutrina paulina da justificação pondo-a na posição central na teologia cristã. Em 1522, quando os seus seguidores começaram pela primeira vez a usar o seu nome para se identificarem, rogou-lhes que não fizessem aquilo, e escreveu: "Vamos abolir todos os nomes de partidos, e chamar-nos cristãos, segundo o nome dAquele cujos ensinos sustentamos... Mantenho, juntamente com a igreja universal, a única doutrina universal de Cristo, que é o nosso único Mestre". Morreu em Eisleben, em 18 de Fevereiro de 1546, enquanto viajava a fim de arbitrar uma disputa entre dois luteranos da nobreza. Foi sepultado na Igreja do Castelo, em Wittemberg.

Bibliografia:
J. Pelikan e H. T. Lehmann, eds., Luther's Works, 56 vols.;
H. T. Kerr, ed.., A Compend ofLuther's Theology;
P. Althaus, The Theology of Martin Luther;
E. G. Rupp, The Righteousness of God;
U. Saarnivaara, Luther Discovers the Gospel;
A. G. Dickens, The German Nation and Martin Luther, J. Atkinson, Martin Luther and the Birth of Protestantism;
R. H. Bainton, Here I Stand: A Life of Martin Luther;
H. Boehmer, Martin Luther: Road to Reformation;
R. H. Fife, The Revolt of Martin Luther, H. Grisar, Luther, 6 vols.;
H. G. Haile, Luther: An Experiment in Biography;
E. G. Schwiebert, Luther and His Times;
J. M. Todd, Martin Luther: A Biographical Study.
Vários sítios, várias enciclopédias e vários artigos na internet.
Várias enciclopédias em papel


Artigo de Carlos António da Rocha
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PARA QUE NÃO HAJA QUALQUER DÚVIDA!

Nesta pequena rubrica de reminiscência histórica não há a pretensão de fazer a apologia do Homem e das suas realizações ou perfeições. Não há a pretensão de pôr alguém num pedestal ou num altar!


Sabemos Quem é digno de toda a Glória! E aqui lembro apenas aqueles que por muito amor a Jesus simplesmente se fizeram servos (ministros!!) de todos! A todos deixo a interpelação: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.” (1Co 15 ACF)

http://no-caminhodejesus.blogspot.com/
de Carlos António d